{"id":2316,"date":"2022-06-29T23:44:08","date_gmt":"2022-06-29T23:44:08","guid":{"rendered":"https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/?p=2316"},"modified":"2023-02-16T13:04:06","modified_gmt":"2023-02-16T13:04:06","slug":"ensaios-sobre-dadiva-expurgo-e-promessa-e-bandido-morto-entrevista-com-renato-valle","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/ensaios-sobre-dadiva-expurgo-e-promessa-e-bandido-morto-entrevista-com-renato-valle\/","title":{"rendered":"Ensaios sobre d\u00e1diva, expurgo e promessa&#8230; e bandido morto! &#8211; Entrevista com Renato Valle"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"has-text-align-right wp-block-heading\"><strong>por Panorama Cr\u00edtico<sup>1<\/sup><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color\" style=\"color:#5c5e5f;font-size:15px\">Em uma agrad\u00e1vel tarde de fim de outono, encontramos com o artista, Renato Valle, para uma conversa sobre a exposi\u00e7\u00e3o <em>Ensaios sobre d\u00e1diva, expurgo e promessa<\/em>, em cartaz na galeria Xico Stockinger na Casa de Cultura Mario Quintana, e o lan\u00e7amento da revista <em>Bandido Bom \u00e9 Bandido Morto<\/em>. Renato chegou acompanhado da curadora da exposi\u00e7\u00e3o, Lilian Maus. Ap\u00f3s uma primeira conversa, resolvemos realizar a entrevista em dois bancos localizados em frente a galeria, nos corredores da CCMQ. Ap\u00f3s movermos os bancos e posicion\u00e1-los da maneira mais adequada para a entrevista, iniciamos a conversa\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Panorama Cr\u00edtico:<em> Quem \u00e9 Renato Valle?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Renato Valle: <em>Que pergunta dif\u00edcil&#8230; Bom&#8230; um artista de Recife que trabalha h\u00e1 46 anos com artes visuais. Sou do tempo das artes pl\u00e1sticas, n\u00e3o se chamava artes visuais. Nunca tive outra atividade na vida, sempre as atividades foram correlatas &#8211; dar oficinas, projeto de resid\u00eancia \u2013 enfim, minha vida essa! \u00c9 trabalhar com desenho, com pintura, escultura, objetos sempre me movimentando por imagens, me expressando atrav\u00e9s de imagem e \u00e0s vezes com o texto ou com frases integradas ao trabalho.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>P.C.: A respeito da quest\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o relacionada com religi\u00e3o e pol\u00edtica?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>R.V.: <em>Isso vem de antes do in\u00edcio&#8230; desde o in\u00edcio do trabalho que essas imagens, esses s\u00edmbolos religiosos, apareciam. Muitas vezes eu n\u00e3o teorizo muito, eu n\u00e3o sou da \u00e1rea de teoria. Ent\u00e3o meu trabalho ele surge muito pela intui\u00e7\u00e3o e por quest\u00f5es est\u00e9ticas intuitivas e a\u00ed no decorrer dele \u00e9 que eu vou percebendo algumas coisas. Dificilmente eu planejo uma coisa na sua totalidade, eles surgem e a\u00ed da\u00ed eu come\u00e7o a pensar, em conversas com outras pessoas com os amigos artistas, eu vou percebendo mais coisas e \u00e0s vezes isso pega um vi\u00e9s que se estende por muito tempo.<\/em><br><em>Esses trabalhos por exemplo, que est\u00e3o aqui expostos, com as resinas, meu desenho e minha pintura sempre tiveram muita volumetria. Tem uma produ\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m que \u00e9 abstrata, geom\u00e9trica e tudo mais, mas o trabalho figurativo sempre tem muita volumetria, sempre teve muito a quest\u00e3o do volume, da luz e da sombra.<\/em><br><em>Eu tinha vontade de trabalhar com escultura, mas \u00e9 uma coisa cara trabalhar com objeto. Eu fiz algumas experi\u00eancias mas n\u00e3o fazia grandes produ\u00e7\u00f5es. Queria fazer isso, e atrav\u00e9s de um projeto pelo Funcultura (fundo de cultura do estado de Pernambuco) e com o apoio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) me foi cedido um ateli\u00ea dentro da universidade, no centro de artes, e o financiamento pelo fundo de cultura foi como eu consegui desenvolver esse trabalho. Mas o nome do projeto era pesquisa em suporte tridimensionais, e eu n\u00e3o sabia que tipo de produ\u00e7\u00e3o seria. Era para pesquisar a resina, o barro, a argila e fazer alguma coisa sempre em<\/em> <em>3 dimens\u00f5es, que seriam esculturas e objetos. Logo nos primeiros momentos da pesquisa, eu que tinha esse vi\u00e9s dos s\u00edmbolos religiosos no trabalho, fiz uma experi\u00eancia; comprar uma imagem do Cristo, tirar da Cruz, fazer um&nbsp; molde e reproduzir essa imagem. Acabou virando o tema do projeto. Estive l\u00e1 por um ano, depois fiquei mais um ano por conta, n\u00e3o mais com o apoio financeiro do Funcultura, mas me virando para concluir o trabalho. O tema todo foi esse, que da\u00ed eu chamei de Cristos e Anticristos trazendo a quest\u00e3o do s\u00edmbolo, da sombra e da luz, do bem do mal, de positivo e negativo. Nada apocal\u00edptico n\u00e3o, foi mais nesse sentido de pegar a figura do Cristo e reinterpretar os s\u00edmbolos que tinham mais a ver com meu pensamento sobre o cristianismo. A religi\u00e3o e a pol\u00edtica n\u00e3o s\u00e3o nunca partid\u00e1rias e nem institucionais no meu trabalho, n\u00e3o \u00e9 uma defesa de ideologia mas um pensamento dentro de uma necessidade de vivenciar, no dia a dia, essas pr\u00e1ticas da boa pol\u00edtica e da boa religiosidade que para mim est\u00e3o andando sempre juntas. Que \u00e9 como eu me comporto na vida, como eu me comporto nas minhas rela\u00e7\u00f5es, como \u00e9 que eu vejo o mundo.<\/em><br><em>Essas coisas est\u00e3o muito presentes. Do meu comportamento no dia a dia e nas rela\u00e7\u00f5es pessoais mesmo, minhas rela\u00e7\u00f5es com o mundo. Eu s\u00f3 pude ter uma vis\u00e3o mais clara disso no decorrer do tempo, mas esses s\u00edmbolos aparecem desde os primeiros desenhos, principalmente os de 1978 j\u00e1 aparecem muitos s\u00edmbolos religiosos. O ex-voto aparece na minha pintura mais por interesse est\u00e9tico, depois eu &nbsp;percebo que tem um vi\u00e9s tamb\u00e9m de religiosidade a\u00ed sabe&#8230; da coisa do agradecimento, do pedido&#8230; esse trabalho de 5000 desenhos! Ent\u00e3o essas coisas v\u00e3o andando, tem me acompanhado ao longo desse tempo todo. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso, mas eu acho que \u00e9 o que mais predomina assim no conjunto do meu trabalho.<\/em><br><em>Essa conversa, entre s\u00e9ries diferentes que tem temas ligados a essa pol\u00edtica e a essa religiosidade, \u00e9 a terceira vez que que exponho. E nessa exposi\u00e7\u00e3o aqui no MACRS, a Lilian fez a curadoria e inseriu uma coisa que nas outras n\u00e3o tinha, que era a pintura. Eu n\u00e3o tinha pensado em colocar a pintura. Porque no in\u00edcio eu queria fazer s\u00f3 uma coisa o preto e o branco e depois entrou alguns elementos com uma Cruz com Coca-Cola, o mealheiro que o dinheiro da a cor e etc. Mas predominantemente preto e branco. Mas a\u00ed quando Lilian esteve l\u00e1 no ateli\u00ea ela sugeriu isso, ela queria que tivesse pinturas tamb\u00e9m. Como eu estava preparando uma exposi\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m tinha pintura, escolhemos as 4 obras que se integravam bem tamb\u00e9m nessa conversa. N\u00e3o \u00e9 enfim a\u00ed fomos conversando sobre outras quest\u00f5es que amarramos essa mostra para c\u00e1.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Lilian Maus: <em>A conversa foi pensando no espa\u00e7o do MACRS, pensando no espa\u00e7o da sala (Galeria Xico Stockinger). Ent\u00e3o a escolha das obras, al\u00e9m da tem\u00e1tica e al\u00e9m de ter um caminho entre o desenho pintura e escultura, que \u00e9 o que eu queria, que tivesse as 3 coisas. Pois eu tamb\u00e9m queria que fosse uma representa\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos 20 anos do trabalho do Renato, pois ele \u00e9 um artista que trabalha com muitos meios, ent\u00e3o eu procurei que um pouco de cada uma dessas coisas que estivessem presentes. Al\u00e9m de eu gostar muito da pintura dele! Acho que ela est\u00e1 bem representada dentro desse conjunto que trata dos Cristos, dos mealheiros&#8230; Pela tem\u00e1tica conseguimos ir por essa forma, da Cruz, conseguimos dar uma unidade nos conjuntos, e tamb\u00e9m a cor. Essa pluralidade toda entra no \u00faltimo trabalho do Renato, que \u00e9 bem importante,&nbsp; que essa revista \u2013 Bandido bom \u00e9 bandido morto &#8211;&nbsp; que traz um pouco desse pot-pourri, onde \u00e9 poss\u00edvel ver uma pluralidade n\u00e3o s\u00f3 de t\u00e9cnicas mas de estilos. O Renato transita por muitos estilos tamb\u00e9m, e a\u00ed est\u00e1, acho,&nbsp; a cara que a exposi\u00e7\u00e3o tinha que<\/em> <em>espelhar um pouquinho, que est\u00e1 nesse conte\u00fado da revista que \u00e9 o trabalho mais recente.<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"277\" src=\"https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/P_20220608_150254_vHDR_Auto-1-1024x277.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2383\" srcset=\"https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/P_20220608_150254_vHDR_Auto-1-1024x277.jpg 1024w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/P_20220608_150254_vHDR_Auto-1-300x81.jpg 300w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/P_20220608_150254_vHDR_Auto-1-768x208.jpg 768w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/P_20220608_150254_vHDR_Auto-1-1536x415.jpg 1536w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/P_20220608_150254_vHDR_Auto-1-2048x554.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mealheiro 1 e Mealheiro 2 (f\u00e9 demais). \u00d3leo sobre tela. 2018-2019 <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>P.C.: <em>Uma coisa que tu comentou quando disseste \u201cj\u00e1 eu n\u00e3o sou um te\u00f3rico\u201d. Olhando revista percebe-se que tem muito de pesquisa ali.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>R.V.: <em>\u00c9 o eu digo que eu n\u00e3o sou um te\u00f3rico \u00e9 que eu n\u00e3o tenho preocupa\u00e7\u00e3o em elaborar um conceito para trabalhar em cima dele. As coisas v\u00e3o acontecendo e normalmente elas acontecem por uma inquieta\u00e7\u00e3o, um impulso que vai para uma coisa e que \u00e0s vezes at\u00e9 no decorrer toma um outro um outro vi\u00e9s, e a\u00ed eu come\u00e7o a pensar e vou juntando essas coisas. Porque tem gente que trabalha assim:&nbsp; conceitua todo o trabalho que vai fazer e constr\u00f3i a obra a partir daquele conceito&#8230; Pra mim n\u00e3o tem uma f\u00f3rmula, cada um tem um jeito de fazer. O meu jeito \u00e9 esse! \u00c9 muito da intui\u00e7\u00e3o sabe. Essa revista por exemplo quando eu pensei, eu pensava em outra coisa&#8230; pensava em escrever algo no edital da Funarte que tinha aberto para arte digital.<\/em><br><em>Nisso comecei a fazer umas impress\u00f5es com esse tema na cabe\u00e7a, j\u00e1 tinha escrito muito pouco sobre isso mas resolvi me aprofundar. Fiz um texto e quando comecei a fazer as experimenta\u00e7\u00f5es pensando em escrever um projeto n\u00e3o funcionou. Eu fui imprimido, fui fazendo umas coisas e fui voltando para o desenho e para a pintura. Da\u00ed perguntei: -\u201cPorra, e agora o que eu vou fazer com isso? Porque agora eu vou ter que fazer!! Eu vou ter que fazer! N\u00e3o sei o que \u00e9 que vai dar, mas vou ter que fazer!\u201d (Risos)<\/em><br><em>Da\u00ed comecei a ilustrar o texto e percebi que eu iria usar s\u00f3 um material porque s\u00e3o ilustra\u00e7\u00f5es para um texto,&nbsp; na segunda ilustra\u00e7\u00e3o j\u00e1 mudou tudo!! O formato, cada imagem, cada personagem que eu pedia ou era s\u00f3 grafite ou era s\u00f3 pintura ou era tudo misturado&#8230; Pensei em construir bem livre mesmo sabendo que n\u00e3o poderia fazer um livro de artista que eu pegaria costuraria aquelas imagens todas. Teria que ser algo que seja impresso! Da\u00ed surgiu a coisa da revista, que ia ser s\u00f3 digital, mas algumas pessoas estavam a acompanhar&nbsp; e diziam: \u201cn\u00e3o! tem que fazer impresso!!\u201d \u2013 \u201cmas como \u00e9 que eu vou fazer impressa se n\u00e3o tem grana para imprimir?\u201d Foi ent\u00e3o que pedi apoio \u00e0 CEPE, e consegui imprimir<\/em> <em>2000 revistas.<\/em><br><em>Mandamos para uma lista pessoal que eu consegui montar com muito trabalho mais ou menos 500 ou 600 nomes de artistas, de jornalistas, de amigos. Mas a\u00ed foi entrando Minist\u00e9rio P\u00fablico, Senado Federal, STF, STJ, Assembleia do Estado, C\u00e2mara Municipal, etc. Foram enviadas para todos esses \u00f3rg\u00e3os, foram 1000 ou 1500.<\/em><br><em>Eu mandei para parlamentares com posicionamentos diferentes, para provocar mesmo uma discuss\u00e3o, aprofundar o debate. Aqui para Porto Alegre n\u00f3s trouxemos 200 revistas para fazer o lan\u00e7amento no dia 14 e distribuir gratuitamente.<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"714\" src=\"https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/BandidoMorto-1024x714.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2384\" srcset=\"https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/BandidoMorto-1024x714.jpg 1024w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/BandidoMorto-300x209.jpg 300w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/BandidoMorto-768x535.jpg 768w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/BandidoMorto.jpg 1184w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Revista Bandido bom \u00e9 bandido morto. 2022<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Ent\u00e3o voc\u00ea v\u00ea&#8230; comecei a fazer um texto em setembro e a coisa foi!!! Eu nem sabia que ia fazer uma revista impressa!!<\/em><br><em>&#8230;minha vida foi sempre de n\u00e3o parar de trabalhar e quando esbarro uma dificuldade eu vou para outro trabalho<strong>. <\/strong>Tive essa sorte tamb\u00e9m de come\u00e7ar a trabalhar com processos diferentes que a\u00ed quando eu estou cansado de fazer uma coisa eu fa\u00e7o outra, ent\u00e3o&#8230; vivo no ateli\u00ea trabalhando e quando um projeto n\u00e3o d\u00e1 certo ou quando n\u00e3o consigo financiamento eu vou para outro!! Se eu n\u00e3o t\u00f4 com grana para fazer escultura eu fa\u00e7o desenho, papel e l\u00e1pis tenho! N\u00e3o me queixo, vou viabilizando o meu trabalho como posso. Minha vida essa \u00e9 essa, tocar a vida e o trabalho sempre!!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>P.C.: <em>Como essa exposi\u00e7\u00e3o veio para Porto Alegre?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Lilian Maus: <em>Esse encontro ele sempre foi regado&#8230; vou repetir a hist\u00f3ria!&#8230; regado a pamonha, queijadinha, canjica, caf\u00e9! Durante os \u00faltimos 10 anos estive bastante em Recife por ter fam\u00edlia l\u00e1, com exce\u00e7\u00e3o agora dos \u00faltimos anos de pandemia, ent\u00e3o nos encontramos muito na casa do Gil, Gil Vicente, em uma cozinha junto do atelier e a\u00ed era&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>R.V: <em>muita comida!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>L.M.: <em>&#8230;muita comida, muita conversa, eu de f\u00e9rias com tempo para tudo isso&#8230; ent\u00e3o se formou esse v\u00ednculo afetivo. E nessa \u00e9poca o Renato<\/em><em> estava trabalhando e tamb\u00e9m estava morando <\/em><em>e depois passou a ter um espa\u00e7o de trabalho que era a Sala Recife para restaurar muitos trabalhos dele mais antigos que estavam com problema e tinham que restaurar. Nisso eu fui acompanhando mais cada vez mais o processo na medida que ele foi tendo um espa\u00e7o de trabalho na casa do Gil. Eu ficava bastante impressionada n\u00e3o s\u00f3 com o volume de trabalho mas com a qualidade, e por ser um artista que n\u00e3o costuma circular tanto quanto outros.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>R.V.:<em>&nbsp; Meu temperamento era muito dif\u00edcil quando era mais jovem!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>L.M.: <em>O Renato quando era mais jovem n\u00e3o andava nem de avi\u00e3o, ent\u00e3o isso dificulta&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>R.V.:&nbsp; <em>Eu dava n\u00e3o para qualquer coisa que dissesse \u201ctem que ir para o avi\u00e3o\u201d&#8230;<\/em> (risos)<\/p>\n\n\n\n<p>L.M.: <em>E era muito t\u00edmido tamb\u00e9m, principalmente na \u00e9poca em que a gente costuma a circular mais, que \u00e9 na juventude, na \u00e9poca em que ainda n\u00e3o se est\u00e1 s\u00f3lido na carreira ainda. Acredito que isso em<\/em> <em>algum momento ali se tu n\u00e3o faz tamb\u00e9m vai dificultando.<\/em><a id=\"_msocom_1\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"867\" src=\"https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/exvotos-1024x867.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2374\" srcset=\"https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/exvotos-1024x867.jpg 1024w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/exvotos-300x254.jpg 300w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/exvotos-768x650.jpg 768w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/exvotos.jpg 1490w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Acima: Di\u00e1rio de votos e ex-votos, 5000 desenhos em grafite sobre papel. 2003-2005. Abaixo: detalhes<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Essa exposi\u00e7\u00e3o, uma parte dela aqui presente, dos votos e ex-votos esteve tamb\u00e9m para o CCSP, somente essa parte do trabalho, dos ex-votos. Ele fez uma exposi\u00e7\u00e3o similar a essa mas sem as pinturas em um espa\u00e7o grande l\u00e1 do Recife, que tem alguns cat\u00e1logos t\u00e9cnicos dessas exposi\u00e7\u00f5es. Eu via muito trabalho dele l\u00e1 mas n\u00e3o via circulando, a n\u00e3o ser nessa ocasi\u00e3o em S\u00e3o Paulo&#8230; mas n\u00e3o dessa dimens\u00e3o, trazendo tantas obras e de grandes dimens\u00f5es. Em fun\u00e7\u00e3o do programa<sup>2<\/sup> que eu coordeno l\u00e1 na Universidade (UFRGS) me ocorreu a ideia, que seria \u00fanica forma de trazer artistas que n\u00e3o s\u00e3o acad\u00eamicos, me ocorreu, poxa o Renato, assim como Gil (Vicente), n\u00e3o \u00e9 um artista acad\u00eamico n\u00e3o,&nbsp; tem nem gradua\u00e7\u00e3o completa, ent\u00e3o n\u00e3o tem como trazer ele de outra forma n\u00e3o \u00e9 sem ser com os<\/em> <em>meios que eu tenho hoje, que \u00e9 dentro da universidade, sem ser a extens\u00e3o. E ele tem muito uma hist\u00f3ria que, embora n\u00e3o tenha frequentado escola de arte acad\u00eamica, tem a escola dos ateli\u00eas dos artistas do Recife. E o que eu noto convivendo muito nesse circuito Porto Alegre &#8211; Recife durante os \u00faltimos 10 anos, noto que l\u00e1 academia n\u00e3o \u00e9 muito forte. O ensino de arte dentro da Universidade Federal de Pernambuco \u00e9 uma coisa bem mais recente do que \u00e9 aqui no Instituto de Artes (UFRGS). Me parece que eles ainda n\u00e3o t\u00eam essa solidifica\u00e7\u00e3o acad\u00eamica que a gente tem aqui, ent\u00e3o o discurso \u00e9 um pouco diferente e eu vejo que a troca entre os artistas se d\u00e1 num outro ambiente. Muito mais do que temos aqui, que essa coisa despojada, de visitar o ateli\u00ea do outro&#8230; talvez o clima tamb\u00e9m ajude&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Isso \u00e9 o que eu queria trazer para c\u00e1! Uma erudi\u00e7\u00e3o de trabalho mas sem passar por um discurso acad\u00eamico, que eu acho que \u00e9 isso que tamb\u00e9m o Renato fala em te\u00f3rico e n\u00e3o-te\u00f3rico, nesse sentido. N\u00e3o estar preocupado num discurso acad\u00eamico mas sim preocupado em refletir sobre o trabalho e sistematizar o trabalho.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>R.V.:&nbsp; <em>&#8230;e tamb\u00e9m eu nasci velho!!<\/em> (Risos)<br><em>N\u00e3o viajar&#8230; tinha medo de avi\u00e3o&#8230; s\u00f3 fui viajar com 30 e poucos anos! A\u00ed fui perdendo o medo. N\u00e3o gostava de viajar sabe, nunca viajo a passeio sim s\u00f3 viagem para o trabalho mesmo. Da\u00ed eu aproveito para passear!! Da\u00ed eu quero conversar com voc\u00ea, com aquele outro, e o outro! E de uns anos para c\u00e1 eu comecei a gostar, relaxei mais. Participei, em 2009, de um programa at\u00e9 fora do pa\u00eds, na Dinamarca. Mas isso era imposs\u00edvel h\u00e1 alguns anos atr\u00e1s, era imposs\u00edvel porque eu&#8230; nossa era realmente&#8230; n\u00e3o ia!<\/em><br><em>&#8230;mas \u00e9 verdade essa coisa desse medo, d\u00e1 uma postura mais mas fechada sabe? Mais de trabalho de ateli\u00ea. Acho que v\u00e1rias coisas me animaram para circular mais com o trabalho. mesmo assim&#8230; Outra coisa foi sair do ateli\u00ea. At\u00e9 o projeto, o primeiro projeto de resid\u00eancia que foi esse no IAC (Instituto de Arte Contempor\u00e2nea \u2013 UFPE)&#8230; isso a\u00ed me impulsionou muito, porque eu era muito trancado e essa coisa de interagir com o p\u00fablico, interagir com o funcion\u00e1rio da institui\u00e7\u00e3o sabe, de ter todo um movimento de gente participando ativamente do trabalho tamb\u00e9m mudou muito \u00e9&#8230; mudou muito tudo!!!<\/em><br><em>Eu fiz muita resid\u00eancia, muita resid\u00eancia mesmo. S\u00f3 esse projeto Di\u00e1logos foram 5! Passei mais de 4 anos sem ter trabalho de ateli\u00ea pr\u00f3prio, era de uma resid\u00eancia para outra, de um museu para outro museu. Eram 11 meses no IAC, depois de 5 meses no MAMAM.<\/em><br><em>Estou ficando mais novo depois de velho, entendeu? O que eu queria dizer era isso!!<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"500\" src=\"https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/P_20220608_145851_SRES-1024x500.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2361\" srcset=\"https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/P_20220608_145851_SRES-1024x500.jpg 1024w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/P_20220608_145851_SRES-300x147.jpg 300w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/P_20220608_145851_SRES-768x375.jpg 768w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/P_20220608_145851_SRES-1536x751.jpg 1536w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/P_20220608_145851_SRES-2048x1001.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Esquerda<\/em>: Atado. Grafite sobre lona crua. 2020. \/ <em>Centro<\/em>: Assustado. Grafite sobre lona crua. 2020. \/ <em>Direita<\/em>: A inf\u00e2ncia interrompida. Grafite sobre lona crua. 2020.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>P.C.: <em>Muitos cegos e muitas covas atualmente no Brasil?<\/em><\/strong><a id=\"_msocom_1\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Nesse momento somos interrompidos por um seguran\u00e7a que nos solicita que retornemos os bancos da CCMQ para suas posi\u00e7\u00f5es originais, pois lhe foi dada a ordem dizendo que seria proibido mov\u00ea-los&#8230;)<\/strong><a id=\"_msocom_2\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>R.V.: <em>Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais cultiva a burocracia n\u00e3o \u00e9 n\u00e3o?&#8230;respondendo a tua pergunta,&nbsp; muitos cegos e muitas covas. A resposta est\u00e1 aqui nessa arruma\u00e7\u00e3o toda!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>P.C.:<em> Parece que al\u00e9m da burocracia tem um que de um micro exerc\u00edcio de poder&#8230; Bem, voltando ao assunto da revista \u201cBandido bom \u00e9 bandido morto\u201d. Talvez do porqu\u00ea da revista&#8230; temos um dado do Observat\u00f3rio de Censura na Arte que aponta que ocorreram cerca de 60 casos de censura a manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas no Brasil desde o caso da<\/em><\/strong><em> Queer Museu<sup>3<\/sup><strong>. E, de acordo com levantamento realizado pela <\/strong><\/em><strong><em>Juliana Proen\u00e7o<sup>4<\/sup>, desses 60 casos 35 est\u00e3o relacionados a exposi\u00e7\u00f5es de obras de artes visuais.<\/em><\/strong><a id=\"_msocom_1\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>R.V: <em>\u00c9 gente que nunca pisou nos museus, nas institui\u00e7\u00f5es, nas galerias e de repente come\u00e7ou a ir para fechar exposi\u00e7\u00f5es, sabe. Pessoas ignorantes que nunca participaram da vida cultural do pa\u00eds. Inventam coisa e outro est\u00fapido aceita e passa adiante vai se junta e v\u00e3o fechar uma exposi\u00e7\u00e3o. Gente que nunca p\u00f4s o p\u00e9 dentro de uma galeria, dentro de um museu e que come\u00e7a a participar da vida cultural para acabar com ela! N\u00e3o \u00e9? Isso \u00e9 uma estupidez! Mas eu fiquei muito impressionado tamb\u00e9m quando houve a proposta de levar para o Parque Lage, o que aconteceu, e o financiamento conseguiu mais do que o previsto. S\u00f3 que se voc\u00ea pegar o n\u00famero de participantes do financiamento, eu esperava que fosse um mar muito maior de gente&#8230; E a\u00ed eu fiquei muito incomodado porque eu participei, eu estava duro! &#8230;mas voc\u00ea deixar de tomar uma cerveja na sexta-feira, voc\u00ea paga R$20 para participar de um projeto daquele, que \u00e9 da maior import\u00e2ncia porque ali sim \u00e9 uma resist\u00eancia! N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 voc\u00ea gritar e falar&#8230; N\u00e3o, voc\u00ea est\u00e1 ali viabilizando uma coisa que foi fechada em outro lugar! Ent\u00e3o aquilo est\u00e1 vivo em outro lugar! Cheguei a conversar com algumas pessoas, porque eu disse \u2013 \u201colha eu t\u00f4 duro mas vou participar!\u201d. O m\u00ednimo parece que era R$20 ou R$25. Teve gente que disse: \u201cah n\u00e3o, mas eu n\u00e3o vou participar porque eu n\u00e3o gosto de n\u00e3o sei quem\u201d&#8230; Eu acho que o artista tem que exercer mais a cidadania, porque essa coisa de estar querendo like, ir para a frente da institui\u00e7\u00e3o para gritar&#8230; e na hora de voc\u00ea dar 20 pau para viabilizar uma exposi\u00e7\u00e3o que foi fechada sabe, eu acho que \u00e9 coisa mesquinha tamb\u00e9m. Acho que \u00e9 um comportamento n\u00e3o s\u00f3 da classe art\u00edstica, mas um comportamento da sociedade brasileira de gritar muito e exercer pouco a cidadania! Parece que quer gritar porque vai aparecer na frente de uma coisa&#8230; Claro, tudo isso a gente sabe que \u00e9 importante, toda essa gritaria, toda essas manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o importantes; mas eu acho que \u00e9 na hora de voc\u00ea ir para uma a\u00e7\u00e3o que pode viabilizar alguma coisa que \u00e9 importante, a\u00ed h\u00e1 um esvaziamento<\/em>! Parece que as redes sociais est\u00e3o mandando mais do que as coisas que s\u00e3o mais objetivas e concretas que voc\u00ea pode fazer.<br><em>Essa coisa do exerc\u00edcio da cidadania eu acho que n\u00f3s temos muito pouco. Citei a situa\u00e7\u00e3o do Santander porque me incomodou muito quando eu comentava com algu\u00e9m que estava participando, da\u00ed eu pedia: p\u00f4, colabora d\u00e1 20 pau&#8230; ah n\u00e3o, porque a\u00ed tem n\u00e3o sei quem, tem n\u00e3o sei&#8230; sabe? Aquela conversa&#8230; eu acho que \u00e9 uma coisa muito ruim!<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"617\" src=\"https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/P_20220608_145804_SRES-1-1024x617.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2360\" srcset=\"https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/P_20220608_145804_SRES-1-1024x617.jpg 1024w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/P_20220608_145804_SRES-1-300x181.jpg 300w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/P_20220608_145804_SRES-1-768x463.jpg 768w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/P_20220608_145804_SRES-1-1536x925.jpg 1536w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/P_20220608_145804_SRES-1-2048x1234.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">S\u00e9rie Cancan. Resina de poli\u00e9ster. 2012.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>P.C:<em> A pesquisa para a revista parte de um dado estat\u00edstico de que 60% dos brasileiros concordam com a frase:<\/em><\/strong><em> \u201cbandido bom \u00e9 bandido morto\u201d<strong>. Tu constr\u00f3is um trabalho que procura mostrar as incoer\u00eancias entre os que se dizem crist\u00e3os e o desejo de morte. Tu acredita que esse desejo de morte pode ser tamb\u00e9m, ao menos em parte, alimentado por pol\u00edticas de governos que banalizam a morte, especialmente da popula\u00e7\u00e3o mais perif\u00e9rica, mais carente, e que essa popula\u00e7\u00e3o mais perif\u00e9rica e carente n\u00e3o consegue observar que j\u00e1 pode estar fazendo parte de um tipo de necropol\u00edtica?<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>R.V.: <em>Existe uma pena de morte extraoficial no Brasil. Agora o pior \u00e9 que querem ainda mais oficializar. O que j\u00e1 \u00e9 ruim querem tornar oficial, quer dizer, instituir a pena de morte como a pena m\u00e1xima. H\u00e1 um n\u00famero grande de pessoas que querem isso&#8230; Ent\u00e3o respondendo a tua pergunta se o pol\u00edtico potencializa isso, \u00e9 claro que ele potencializa! \u00c9 como se eu sou pai e tenho uma fam\u00edlia, meus filhos e eu digo que a crian\u00e7a tem que bater no outro. Se algu\u00e9m passar por voc\u00ea e lhe incomodar pode socar a cara, pode chutar&#8230; pode ser menina, mas voc\u00ea chuta! Quer dizer, voc\u00ea est\u00e1 estimulando a viol\u00eancia, o machismo&#8230; Ent\u00e3o se um l\u00edder pol\u00edtico, que consegue exercer influ\u00eancia por pelo menos uma boa parcela da popula\u00e7\u00e3o, ele diz que tem que matar, tem que&#8230; voc\u00ea libera os dem\u00f4nios! Ent\u00e3o pode matar? Ent\u00e3o eu vou me armar!! Se tiver qualquer coisa eu vou poder atirar eu vou poder matar&#8230; tudo isso leva a gente a um caminho de uma viol\u00eancia cada vez maior. N\u00e3o tenho d\u00favida que esse<\/em> <em>est\u00edmulo a viol\u00eancia vai tornar o mundo mais violento&#8230;<\/em><br><em>Ent\u00e3o, como \u00e9 que voc\u00ea diz assim \u2013 \u201ceu sou crist\u00e3o mas acredito nessa frase!\u201d?&nbsp; Mas o Cristo foi preso e foi torturado e executado porque era considerado um bandido, pois se ele fosse inocentado n\u00e3o teria sido condenado e n\u00e3o teria sido executado. Inocentado \u00e9 libertado, condenado \u00e9 executado, e executado porque o E<\/em>stado <em>tem o poder de executar. A Joana d&#8217;Arc e todos esses que eu representei na revista, todos eles foram executados legalmente. N\u00e3o foi morte informal de um grupo que assassinou outro, grupo pol\u00edtico rival que assassinou. N\u00e3o, foram execu\u00e7\u00f5es legais. Garcia Lorca fuzilado durante a ditadura do Franco. Coloquei dois ali que foi durante o per\u00edodo de Stalin, que foi um per\u00edodo duro na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Ent\u00e3o, independente de ideologia, de ser um estado teocr\u00e1tico ou n\u00e3o, essas execu\u00e7\u00f5es acontecem durante a hist\u00f3ria da humanidade em v\u00e1rios pontos, em v\u00e1rios pa\u00edses. Eu n\u00e3o critico quem defende a pena de morte, mas n\u00e3o venha me dizer que defende e que \u00e9 crist\u00e3o, pois isso \u00e9 uma incoer\u00eancia n\u00e3o cabe no cristianismo, esse tipo de defesa. E estamos vivendo esse momento&#8230; isso na verdade sempre existiu. Agora querer naturalizar esse tipo de coisa n\u00e3o d\u00e1!! Eu acho que isso \u00e9 completamente incompat\u00edvel, e acho muito impressionante quando algu\u00e9m diz isso. Estamos num momento que tem muitos pol\u00edticos, em todas as esferas do poder, que olha&#8230; de sentir inveja de <\/em>Incitatus<em>. Aquele senador Romano que era o cavalo de Cal\u00edgula. Tem gente que tem n\u00e3o sei quantos assessores, tem l\u00e1 o aux\u00edlio palet\u00f3 e todos esses privil\u00e9gios, tem tudo. E ele tinha, n\u00e3o sei quantos criados&#8230; veste p\u00farpura pois \u00e9 a cor do Imp\u00e9rio, comia num tacho folheado de ouro com pedras&#8230; mas morreu cavalo!! A gente tem um bocado que n\u00e3o vai morrer cavalo, vai morrer burro!!! \u00c9 um momento muito, muito triste de voc\u00ea ver porque essas mudan\u00e7as para conter esses impulsos de viol\u00eancia, para estabelecer uma sociedade que pelo menos tenha um m\u00ednimo de civilidade, de conviv\u00eancia, de conviv\u00eancia com as diferen\u00e7as&#8230; isso tem tido um esfor\u00e7o de parte da sociedade para ir para caminho contr\u00e1rio, para liberar tudo o que a gente tem de pior. Todo mundo tem luz e sombra dentro. A\u00ed est\u00e1 a coisa do Cristo preto, Cristo branco, Cristo para cima, Cristo para baixo&#8230; levantando essas quest\u00f5es&#8230; num momento que voc\u00ea libera a coisa como um pai que estimula os filhos a serem agressivos e preconceituosos, os pol\u00edticos liberam para a sociedade esse tipo de comportamento, \u00e9 claro que vai influenciar um monte de gente a seguir esse tipo de coisa. A gente v\u00ea a\u00ed as grandes trag\u00e9dias coletivas, guerras e persegui\u00e7\u00f5es e tudo mais, durante a hist\u00f3ria da humanidade contudo, isso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 aqui, isso \u00e9 uma coisa que a hist\u00f3ria da humanidade mostra.<\/em><a id=\"_msocom_1\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>P.C: <em>Responda r\u00e1pido. Bandido bom \u00e9 bandido morto ou artista bom \u00e9 artista morto? (Risos!!)<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>R.V.: <em>Para esses caras da cultura&#8230; agora mesmo teve essa lei que foi vetada porque n\u00e3o \u00e9 de interesse&#8230; como foi o argumento&#8230;? n\u00e3o \u00e9 do interesse da sociedade! Teve uma frase assim, n\u00e3o \u00e9 de interesse p\u00fablico ou mais ou menos isso. O que \u00e9 um povo sem cultura, existe isso? Alguns existiram durante muito tempo sem territ\u00f3rio, mas conseguiram sobreviver por conta da cultura. Ent\u00e3o \u00e9 aquel<\/em>a <em>coisa, tem gente que quer mudar a hist\u00f3ria mas s\u00f3 tem a borracha, mas n\u00e3o sabe escrever.<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"430\" src=\"https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Cristo-Anticristo-1024x430.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2393\" srcset=\"https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Cristo-Anticristo-1024x430.jpg 1024w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Cristo-Anticristo-300x126.jpg 300w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Cristo-Anticristo-768x323.jpg 768w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Cristo-Anticristo-1536x645.jpg 1536w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Cristo-Anticristo-2048x860.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cristo e Anti Cristo Coca-Cola I. Resina de poli\u00e9ster. 2010-2012.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>P.C.: T<em>em um dado que tu trouxe em uma entrevista para a universidade (UFPE), est\u00e1 em um v\u00eddeo no YouTube<sup>5<\/sup> onde tu comentas sobre quantas Igrejas surgiam por dia no Brasil&#8230;<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>R.V.: <em>25 por dia, mais de uma por hora!! Isso foram dados da receita federal em 2010 e 2017. Qual \u00e9 o lugar do mundo que tem isso? Acho que n\u00e3o tem n\u00e3o, ao menos n\u00e3o como aqui no Brasil. A facilidade para se montar e a facilidade tamb\u00e9m de voc\u00ea lavar dinheiro para voc\u00ea fazer tudo que n\u00e3o presta porque \u00e9 uma casa comercial, \u00e9 uma casa de neg\u00f3cios. Por isso que tem aquele mealheiro ali, vemos a explora\u00e7\u00e3o da f\u00e9 a gente v\u00ea muitos absurdos. Antigamente a venda de indulg\u00eancia era para ir para o c\u00e9u e hoje \u00e9 para voc\u00ea conseguir tudo, namorada, emprego&#8230;<\/em><br><em>E aqui \u00e9 um terreno muito f\u00e9rtil para esse tipo de coisa, e junto disso vem o financiamento desse dinheiro f\u00e1cil a pol\u00edticos, a\u00ed entra em todas as esferas do poder, voc\u00ea v\u00ea que que esse tipo de cargo p\u00fablico ocupado por pessoas desses grupos eles t\u00eam crescido tamb\u00e9m pois uma coisa alimenta a outra.<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"468\" src=\"https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Cristos-1024x468.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2379\" srcset=\"https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Cristos-1024x468.jpg 1024w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Cristos-300x137.jpg 300w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Cristos-768x351.jpg 768w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Cristos-1536x702.jpg 1536w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Cristos-2048x936.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Esquerda<\/em>: Mealheiro. Resina de poli\u00e9ster e dinheiro. 2011 \/ <em>Direita<\/em>: Colmeia. Resina poli\u00e9ster. 2010-2012<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><em>O Brasil \u00e9 um pa\u00eds terrivelmente retr\u00f3grado. Eu assisti ao vivo a aprova\u00e7\u00e3o da lei do div\u00f3rcio no Brasil&#8230; foi uma luta para se aprovar. Se voc\u00ea for ver a quest\u00e3o da escravid\u00e3o, se voc\u00ea for ver todas essas coisas, o Brasil sempre est\u00e1 atr\u00e1s do resto. \u00c9 um pa\u00eds que eu tor\u00e7o para que mude porque ele tem sido terrivelmente retr\u00f3grado. Mas acho que tem uma coisa boa, tem muita coisa boa acontecendo, tem muita gente boa, tem muita gente s\u00e9ria trabalhando em todas as \u00e1reas!<\/em><br><em>Pois \u00e9 isso! Tem que continuar, tem que acreditar mesmo, tem que continuar. Voc\u00ea tem que atuar, voc\u00ea se entristece pode at\u00e9 se revoltar, mas tem que aprender a n\u00e3o se desesperar, porque lembrando o autor de um poema que leva o nome aqui da casa: &#8211; \u201cesses que a\u00ed est\u00e3o atravancando o meu caminho, eles passar\u00e3o&#8230; eu passarinho\u201d. \u00c9 isso! Tudo passa e o que \u00e9 bom fica, atrav\u00e9s do trabalho \u00e9 a forma de resist\u00eancia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>P.C.: Como a proposta da L\u00edlian aqui foi fazer um resgate, digamos assim, de 20 anos da tua produ\u00e7\u00e3o, uma perguntinha para fechar. O que o Renato de 20 anos atr\u00e1s diria para o Renato hoje?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>R.V: <em>Tu era muito velho e chato cara!!! Tu est\u00e1s muito melhor agora! O pior \u00e9 que tem menos tempo de vida para trabalhar e tem que trabalhar mais ainda para fazer alguma coisa! H\u00e1 20 anos atr\u00e1s n\u00e3o estaria nem aqui!<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/P_20220608_145931_SRES.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2368\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Canudos, Caneca, Direta&#8230; e o Brasil n\u00e3o mais resiste. Grafite sobre lona crua. 2006.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Lilian Maus: Quero fazer uma pergunta par o Renato tamb\u00e9m&#8230; Onde que tu se sentes mais confort\u00e1vel trabalhando? Pois s\u00e3o diferentes materiais &#8211; tem o grafite, tem a pintura, tem a resina&#8230; Qual a diferen\u00e7a do Renato em cada uma dessas produ\u00e7\u00f5es? &#8230;pois me parece que quando tu trabalhas com escultura tem uma coisa de humor que prevalece, um despojamento, e isto \u00e9 mais a tua cara, eu acho que tu te soltas mais. Enquanto no grafite e na pintura tu \u00e9s bem mais tradicional&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>R.V.: <em>\u00c9 que o grafite a pintura come\u00e7ou a mais de 20 anos! (Risos!<\/em>)<br><em>&#8230;e o objeto mais agora!! &#8230;eu nunca tinha pensado nisso! Eu estou agora fazendo associa\u00e7\u00f5es com a pergunta de voc\u00eas sobre o Renato de 20 anos!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>L.M.: <em>Mas eu vejo isso! eu acho que isso na tua obra&#8230; me parece muito mais jovial o que tu faz em escultura do que o que tu faz com os meios mais tradicionais.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>R.V.:<em> Que maravilha&#8230; pena que a idade n\u00e3o volta!!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>L.M.: <em>At\u00e9 pelo fato de trabalhar com escultura, com o molde, com materiais menos nobres, que n\u00e3o tem tanto um fetiche &#8211; tipo um bronze&#8230; uma escultura por subtra\u00e7\u00e3o, moldes. \u00c9 uma coisa mais despojada, \u00e9 quase que uma brincadeira sabe&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"537\" src=\"https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/IMG-20220629-WA0055-1024x537.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2381\" srcset=\"https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/IMG-20220629-WA0055-1024x537.jpg 1024w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/IMG-20220629-WA0055-300x157.jpg 300w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/IMG-20220629-WA0055-768x403.jpg 768w, https:\/\/panoramacritico.com\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/IMG-20220629-WA0055.jpg 1408w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cancan &#8211; pretos. Resina de poli\u00e9ster. 2012.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>R.V.: <em>A experi\u00eancia de experimentar uma coisa que eu nunca tinha feito&#8230;<\/em><br>L.M.: <em>Por exemplo, quebraram diversas m\u00e3ozinhas no transporte dos Cristos, e voc\u00ea levou isso numa boa. Se tivesse acontecido isso com a lona ou com os desenhos, tu enlouqueceria teria uma dor no cora\u00e7\u00e3o! Me parece que tu tratas diferente os trabalhos, e nem te d\u00e1 conta. Parece que tu tens muito mais apego com as coisas que tu faz de maneira mais despojada&#8230; Talvez tenha a ver com o m\u00faltiplo da escultura e com o objeto \u00fanico desenho e da pintura&#8230; mas \u00e9 que eu noto que \u00e9 mais uma brincadeira de crian\u00e7a, que tu faz assim meio despretensiosamente e os outros n\u00e3o, carregam uma carga de tradi\u00e7\u00e3o maior. Me parece que \u00e9 onde tu come\u00e7ou tamb\u00e9m trabalhando e com uma intera\u00e7\u00e3o com artistas que vinham de uma tradi\u00e7\u00e3o, respeito que te leva a ter um outro tipo e de rever\u00eancia por aquele suporte. J\u00e1 no caso das esculturas, eu acho que tem mais desapego, tamb\u00e9m, pelo fato de ser algo que tu n\u00e3o sabe direito como vai montar no espa\u00e7o expositivo. Claro, elas t\u00eam uma estrutura chave b\u00e1sica mas tu j\u00e1 vai com essa com esse esp\u00edrito de que vai aceitar a mudan\u00e7a&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>P.C.: <em>Viu?! Essa conversa serviu para alguma coisa..!!! (Risos!!<\/em><\/strong>)<\/p>\n\n\n\n<p>R.V.:<em> Vivendo e aprendendo!!! Mas eu melhorei, n\u00e9&#8230;?!!<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Alexandre Nicolodi e J\u00falio C\u00e9sar Herbstrith.<\/li>\n\n\n\n<li>Programa de extens\u00e3o: hist\u00f3rias e pr\u00e1ticas art\u00edsticas. \u00c9 um Programa de Extens\u00e3o voltado ao ensino e \u00e0 difus\u00e3o da arte. Realizado pelo Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes da UFRGS em parceria com a FEENG, com a coordena\u00e7\u00e3o das professoras Lilian Maus e Camila Schenkel. Oferece cursos te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos. As atividades s\u00e3o certificadas pela UFRGS e tem como p\u00fablico crian\u00e7as, adultos e idosos com ou sem inicia\u00e7\u00e3o em arte. O programa resulta de importantes parcerias institucionais e tamb\u00e9m da alian\u00e7a firmada entre professores, alunos em forma\u00e7\u00e3o e egressos do IA\/UFRGS para difundir a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento \u00e0 comunidade externa \u00e0 universidade. Al\u00e9m disso, est\u00e3o inclu\u00eddos no projeto os saberes e pr\u00e1ticas de artistas n\u00e3o acad\u00eamicos e pesquisadores de outras \u00e1reas que venham a contribuir para as artes visuais a partir de uma perspectiva transdisciplinar. Renato Valle foi o artista selecionado pelo programa para participar de Resid\u00eancia em arte-educa\u00e7\u00e3o, onde foi estabelecida parcerias com escolas p\u00fablicas, cde\/ieavi e a\u00e7\u00f5es educativas nas aulas da gradua\u00e7\u00e3o de Artes Visuais e Hist\u00f3ria da Arte do IA\/UFRGS.<\/li>\n\n\n\n<li><em>Queermuseu <\/em>\u2014 Cartografias da diferen\u00e7a na arte brasileira. Realizada em 2017, a mostra foi encerrada ap\u00f3s pouco menos de um m\u00eas de sua inaugura\u00e7\u00e3o devido \u00e0 forte press\u00e3o de grupos religiosas e conservadores, que pediam o fechamento da mesma.<\/li>\n\n\n\n<li>Interrup\u00e7\u00f5es e retomadas: projetos art\u00edsticos irrealizados da ditadura militar no Brasil (1960 \u2013 2010). Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado defendida em 2021, PPGAV\/UFRGS.<\/li>\n\n\n\n<li>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Ks1XXuuAgk4<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Panorama Cr\u00edtico.<br \/>\nEm uma agrad\u00e1vel tarde de fim de outono, encontramos com o artista, Renato Valle, para uma conversa sobre a exposi\u00e7\u00e3o Ensaios sobre d\u00e1diva, expurgo e promessa, em cartaz na galeria Xico Stockinger na Casa de Cultura Mario Quintana, e o lan\u00e7amento da revista Bandido Bom \u00e9 Bandido Morto. Renato chegou acompanhado da curadora da exposi\u00e7\u00e3o, Lilian Maus. Ap\u00f3s uma primeira conversa, resolvemos realizar a entrevista em dois bancos localizados em frente a galeria, nos corredores da CCMQ. 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